Vamos falar de vinhos?

Vinícola Zichron Yaakov, 1945

 

Falar de vinho é sempre um grande prazer e aproveitando que os dias desse finalzinho de inverno ainda estão convidativos, vamos unir o útil ao agradável e falar um pouco sobre a história dos vinhos israelenses. Eles são produzido por centenas de vinícolas, variando em tamanho de pequenas companhias boutique as grandes empresas que produzem mais de dez milhões de garrafas por ano.

Em 1848, um rabino em Jerusalém fundou a primeira vinícola documentada nos tempos modernos, mas seu estabelecimento foi de curta duração. Em 1870, a primeira faculdade agrícola judaica, Mikveh Israel, foi fundada e caracterizou-se por um curso na viticultura.

A raiz da moderna indústria vinícola israelense, no entanto, remonta ao final do século XIX, pelo barão Edmond James de Rothschild, dono da propriedade de Bordeaux Château Lafite-Rothschild, que começou a importar variedades de uvas francesas e conhecimentos técnicos para a região. Ele ajudou a estabelecer a Carmel Winery com vinhas e instalações de produção de vinho em Rishon LeZion e Zikhron Ya’akov perto de Haifa. A vinícola Carmel, firme e forte até hoje está nas mãos da quarta geração da familia Tishbi.

Vinha no Vale de Ayalon (Aijalom) na região central da Judéia.

O Carmel é o maior produtor de vinho israelense e tem estado na vanguarda de muitos avanços técnicos e históricos tanto na vinificação quanto na história de Israel.

A vinificação israelense ocorre em cinco regiões: Galil (Galiléia, incluindo as Alturas do Golã), a região mais adequada para a viticultura devido à sua elevada altitude, brisas frescas, mudanças bruscas de temperatura diurnas e noturnas  e solo rico e bem irrigado; As Montanhas da Judéia em torno da cidade de Jerusalém; Shimshon (Sansão), localizado entre as Montanha da Judéia e a Planície Costeira; O Negev, uma região desértica semiárida, onde a irrigação por gotejamento tornou possível o cultivo da uva; E a planície de Sharon, perto da costa do Mediterrâneo e ao sul de Haifa, cercando as cidades de Zichron Ya’akov e Binyamina, que é a maior área de cultivo de uva em Israel.

A educação e conscientização sobre a importância da produção de vinho é algo ensinado até mesmo para crianças em idade escolar mesmo antes da fundação do Estado de Israel.

A maior adega do mundo antigo que foi encontrada em Israel nas ruínas de Tel Kabri na Galiléia Ocidental

Um dos primeiros telefones em Israel foi instalado na Vinícola do Carmelo e o primeiro Primeiro-Ministro do país, David Ben-Gurion, trabalhou nas adegas do Carmel durante sua juventude.

Durante a maior parte de sua história na era moderna, a indústria vitivinícola israelense baseou-se predominantemente na produção de vinhos Kosher que foram exportados para as comunidades judaicas em todo o mundo. A qualidade destes vinhos era variada, sendo muitos produzidos a partir de vinhas de elevado rendimento que valorizavam a quantidade sobre a qualidade. Muitos destes vinhos eram também um tanto doces. No final dos anos 60, a vinícola de Carmel era a primeira adega israelense a fazer um vinho de mesa seco. Foi na década de 1980 que a indústria em geral viu um renascimento na produção de vinhos de qualidade, quando um afluxo de talento da vinícola da Austrália, Califórnia e França trouxe tecnologia moderna e know how técnico para a crescente indústria vitivinícola israelense. Em 1989, a primeira adega de boutique em Israel, Margalit Winery, foi fundada. Na década de 1990, propriedades israelenses, como Golan Heights Winery e Domaine du Castel ganharam prêmios em competições internacionais de vinhos. A década de 1990 viu um “boom” subseqüente na abertura de vinícolas boutique. Em 2000, haviam 70 vinícolas em Israel, e em 2005 essa número saltou para 140.

Hoje, menos de 15% do vinho israelense é produzido para fins sacramentais. Os três maiores produtores – Carmel Winery, Barkan Wine Cellars e Golan Heights Winery – representam mais de 80% do mercado interno. Os Estados Unidos são o maior destino de exportação. Apesar de conter apenas cerca de um quarto da superfície plantada como o Líbano, Israel emergiu como uma força motriz para a vinificação no Mediterrâneo Oriental, devido à sua disposição para adotar novas tecnologias e seu grande mercado de exportação. O país também viu o surgimento de uma cultura de vinho moderno com restaurantes de luxo com vinhos internacionais dedicados a uma crescente clientela consciente sobre o vinho.

Não é barato tomar vinho em Israel. Não se paga menos de 100 shekel por uma garrafa.
Hoje, são 300 vinícolas ativas (muitas delas “butiques”), que se espalham pelas colinas de Jerusalém, Golã, Judeia, Galiléa, Deserto de Negev, de onde, aliás, sai outro vinho adorável, o Yatir, cujas vinhas de cabernet sauvignon, sauvignon blanc e viognier crescem em um sítio arqueológico de 3 mil anos.

Um comentário

  1. Samuel Pustilnic
    Samuel Pustilnic 6 de setembro de 2017 at 14:08 |

    Ótima reportagem. Parabéns.

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