William Kentridge, importante artista plástico sul-africano

William Kentridge nasceu em Joanesburgo, em 28 de abril de 1955, em uma família judaica. Seus pais, Sydney Kentridge e Felicia Geffen Kentridge, eram advogados que  representavam pessoas marginalizadas pelo sistema de apartheid.

William completou seus estudos na Escola King Edward VII, em Houghton, Joanesburgo. Desde cedo demonstrou sua vocação para a arte. Recebeu seu diploma de Bacharel em Artes e Estudos Africanos da Universidade do Witwatersrand, e depois concluiu o curso de Belas Artes da “Johannesbourg Art Foundation”. No início dos anos 80 estudou mímica e teatro na “L’École Internationale de Théâtre Jacques Lecoq”, em Paris. Ele originalmente esperava tornar-se ator, mas decidiu desistir  da ideia pois  se achava um ator ruim, resolvendo assim dedicar-se a artes plásticas. Na década de 1980 trabalhou em filmes para a televisão e em séries, como diretor de arte.

Kentridge é um artista de linhagem expressionista onde o sentimento é manipulado pelo uso da  paleta, composição e mídia. Ele denuncia as injustiças que ocorreram ao longo dos anos na África do Sul.

O artista já expôs no Brasil, em Porto Alegre, em uma  mostra intitulada “Fortuna”, na Fundação Iberê Camargo, onde ele entrelaça o político e o poético, drama coletivo e individual, sem dispensar o humor e a ironia. Essa exposição apresentou 200 obras, entre desenhos, filmes, vídeos, gravuras, objetos e esculturas, criadas entre 1989 e 2012. Expôs também no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles, e em São Paulo, na Pinacoteca.

Uma maravilhosa instalação sua pode ser vista no Instituto Inhotim, intitulada “I’m not me, the horse is not mine”, que se encontra em um espaço preparado para receber obras de grandes dimensões. O título da exposição é uma expressão usada pelos camponeses russos para negar sua responsabilidade em algo. As oito projeções (cerca de oito minutos cada), que acontecem ao mesmo tempo na sala, foram produzidas pelo artista  enquanto preparava a sua versão da ópera “O Nariz”, de Dmitri Shostakovich para o “New York’s Metropolitan Opera”, exibida em março de 2010.

“O Nariz” é um conto clássico da literatura russa, escrito entre 1835 e 1836 por Nikolai Gogol, que inspirou Shostakovich a compor a ópera homônima em 1927. A sátira narra a história de um homem que acorda de manhã e percebe que seu nariz desapareceu, e quando o encontra descobre que ele cresceu e ficou muito maior que o seu dono. Depois de vários encontros, eles acabam reunificados.

William Kentridge, por meio da arte e do humor, faz intervenções sobrepondo o nariz nas imagens de registros históricos. O artista se utiliza da linguagem como performance, colagens, desenhos em carvão e, principalmente, “stop motion”, para falar da vanguarda russa, como o cinema de Vertov, a arquitetura da torre de Tatlin ou o movimento suprematista de Malevich. É possível identificar alguns nomes históricos, como Stalin e o da bailarina Anna Pavlova. A cada novo loop das projeções é possível relacionar a obra a fatos históricos do regime totalitário russo.

William Kentrige é um dos mais importantes artistas contemporâneos da atualidade e seu trabalho é muito impactante.

Exposição “William Kentridge Fortuna”

Johannesburg – 1989 – by William Kentridge

William Kentridge Pain & Sympathy – Art 21 “Exclusive”

Um comentário

  1. Eva Britz
    Eva Britz 30 de agosto de 2017 at 22:24 |

    Parabéns,Solange !!!!!!!!!!

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